Filho de um monstro

Dá nojo. Os bolsonaristas deturparam, grosseiramente, uma entrevista do presidente Lula ontem à CBN, dizendo que ele tinha afirmado que filhos de mães estupradas seriam monstros.

O extremismo exacerbado no País, consequência das duas seitas políticas do lulismo x bolsonarismo, se revela numa insanidade. Dá nojo. Os bolsonaristas deturparam, grosseiramente, uma entrevista do presidente Lula ontem à CBN, dizendo que ele tinha afirmado que filhos de mães estupradas seriam monstros.

Não foi isso. Lula disse que monstros seriam os estupradores. Ele falou, literalmente, assim: “Esse negócio de ficar discutindo aborto legal, aborto ilegal, o que nós temos que discutir é o seguinte: quem está abortando, na verdade, são meninas de 12, 13, 14 anos. É crime hediondo um cidadão estuprar uma menina de 12 anos e depois querer que ela tenha um filho de um monstro”.

Lula foi questionado se havia subestimado a ala conservadora do Congresso, e declarou que as pautas conservadoras estão fora da realidade. A fala do presidente se deu depois de o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), autor do PL Antiaborto, o desafiar a aumentar a pena para estupradores.

Lula classificou o projeto discutido na Câmara como “insanidade”. “Nós não tínhamos, neste país, a experiência de uma extrema-direita tão ativista, e uma extrema-direita pouco pragmática na política, e muito pragmática nas mentiras”, disse. Na mesma entrevista, Lula rebateu o deputado com uma dura provocação. “O cidadão diz que fez projeto para testar Lula. Não preciso de teste, quem precisa de teste é ele. Quero saber se uma filha dele fosse estuprada, como ele ia se comportar”.

Nos últimos dias, o presidente tem falado algumas besteiras, prejudicando, inclusive, a economia, mas neste caso foi muito feliz e incisivo, indo para a ofensiva em relação à bancada conservadora no Congresso.

MULHERES REAGEM – A divisão brasileira do grupo Lola (sigla em inglês para Aliança das Mulheres pela Liberdade) manifestou repúdio ao projeto de lei do Antiaborto por Estupro. Presente em diversos países, a entidade defende temas de interesse das mulheres sob uma perspectiva liberal. “Este projeto representa um grave retrocesso para os direitos reprodutivos e a liberdade individual das mulheres brasileiras, ignorando contextos de extrema vulnerabilidade e sofrimento das nossas crianças e adolescentes”, diz Isabela Patriota, diretora de Relações Internacionais do Lolla Brasil.

por Magno Martins

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